quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Mito ou verdade? Suplementos de colágeno firmam a pele?



O conceito de beleza é um tópico constantemente discutido aqui no Fome de quê?. Os tempos mudam (o padrão de beleza também), mas mesmo com tantas correntes que favorecem a diversidade, a beleza natural e individual, desafio da foto sem maquiagem e sem filtro, da saúde em todos os tamanhos (health at every size), tenho a impressão de que a perseguição pela beleza e pela juventude muitas vezes extrapola os limites do possível e do saudável.

Não é à toa que, mesmo nos momentos de crise, cirurgiões plásticos, endocrinologistas, dermatologistas, nutricionistas, esteticistas, academias e cabeleireiros são procurados à espera de um milagre. E de mágico o mundo está cheio! Saem prescrevendo um monte de coisas – e enchendo o bolso de dinheiro.

Uma dos itens mais prescritos (e pedidos pelos próprios pacientes) é o colágeno.

Mas será que o colágeno é mesmo a fonte da juventude, da “pele perfeita”?


O que é colágeno?

É uma proteína responsável pela firmeza e elasticidade da pele e compõe a estrutura do cabelo, unhas e tendões.

Pra que servem as proteínas?

Para construção e manutenção de tecidos (músculos, órgãos, ossos, pele, tendões, unhas, cabelo...), hormônios e enzimas do nosso organismo.

Em quais alimentos encontramos as proteínas?

Encontramos proteínas em muitos alimentos, mas principalmente nas carnes (bovina, suína, aves, peixes), ovos, leites, queijos, leguminosas (feijões, soja, lentilha, ervilha, grão-de-bico), oleaginosas (pistache, nozes, amendoim, castanha de caju, do Pará) e sementes (de abóbora, girassol, linhaça).

Como as proteínas são digeridas e absorvidas?

Lembra do post sobre os casamentos perfeitos? Lá procurei esclarecer um pouco sobre as proteínas e aminoácidos para explicar porque o arroz e feijão, essência da alimentação do brasileiro, pode ser considerada uma das combinações nutricionais mais valiosas. Fiz um paralelo entre proteínas, aminoácidos, paredes e tijolos, de modo que a proteína fosse uma parede e os tijolos que formavam essa parede fossem os aminoácidos. Ao todo existem 20 tipos de tijolos, ou seja, 20 aminoácidos. Dependendo de quais, quantos e sequência de tijolos (aminoácidos) são utilizados, temos como resultado paredes (proteínas) diferentes.

Quando ingerimos os alimentos ricos em proteínas (ou suplementos/cápsulas de colágeno), as enzimas do nosso estômago e intestino as quebram em aminoácidos. Como nosso intestino não consegue absorver a proteína inteira (grande), só os aminoácidos conseguem atravessar nosso intestino para serem absorvidos.

Como nosso corpo reutiliza os aminoácidos?

Depois da absorção no intestino, nosso corpo utiliza esses aminoácidos para fazer proteínas conforme a demanda do corpo de cada um – uma parte pode ir para a cicatrização de uma ferida, a outra parte para a manutenção dos músculos, a outra para o sistema imunológico, a outra para fazer parte da pele... Mas como o colágeno é uma proteína e, como qualquer outra proteína é quebrada em aminoácidos para ser absorvido e o resultado é atender demandas específicas e variadas do corpo, não faz sentido algum consumir colágeno na esperança dele virar necessária e exclusivamente colágeno na sua bela cútis!

Gosto muito de pegar livros que tenho e estudar alguma coisa aleatoriamente. Por acaso, um dia desses li uma passagem fantástica:

“Dizer que é necessário ingerir colágeno para ter colágeno no corpo é tão absurdo quanto dizer que precisamos ingerir fígado para termos fígado, ou cérebro para termos cérebro.” (Slywitch, 2010, p. 83)

Genial!

Ora, Dr. Eric Slywitch, isto é absurdo para profissionais que utilizam a ciência para nortear condutas. Não para os obcecados pela beleza e juventude eternas, não para a indústria farmacêutica e tampouco para os profissionais que lucram com a ingenuidade alheia. Digo ingenuidade porque ninguém é obrigado a saber. Mas se procuram orientação do nutricionista, este deveria utilizar dos seus conhecimentos para ajudar o cliente/paciente, não para enganá-lo.

Não sou contra a suplementação. Existem pessoas que podem se beneficiar de complementos conforme suas necessidades individuais, reais, específicas e quando a alimentação é/está quali e/ou quantitativamente comprometida. Mas comer é um ato biológico, fisiológico, cultural, prazeroso e deve ser prioridade.

Ética, bom senso e conhecimento – sempre!

Fonte da juventude - Family Guy (Uma Família da Pesada)
Referência:

Slywitch E. Alimentação sem carne: guia prático: o primeiro livro brasileiro que ensina como montar sua dieta vegetariana. 2ªed. São Paulo: Alaúde Editorial; 2010.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Comidinhas de Halloween

Quais as comidas favoritas dos zumbis?

R: Pé de moleque, dedo de moça e batata da perna!

Ahhhh... Tum Dum Psssss!



Ano passado dei algumas sugestões simples de decoração, lembrancinhas e docinhos para o dia das bruxas, lembra?

Se você ficou com sede só de relembrar, ou se você tem filhos, sobrinhos, netos, vizinhos pequenos que ainda não estão preparados para comer esta variedade de doces, este ano trouxe ideias de comidinhas salgadas e de preparações com frutas que certamente farão sucesso na festinha de Halloween!

Comidinhas salgadas

Sanduíche de pão preto com pasta de ricota, cenoura, pepino e frios com decoração em biscuit e palitinhos

Sanduíche simples de presunto e queijo com azeitonas

Torradinhas com cream cheese

Mini pizza de pão

Pimentão amarelo pequeno (com cara de abóbora!) recheado com carne moída

Curativos de bolachinhassalgadas com queijo e molho de tomate

Vassouras comestíveis de salgadinhos em palitinhos (ou grissini) e queijo

Com frutas
Muito parecidos também com os que mostrei aqui e aqui.

Picolés de frutas cor de laranja decorados com aranhas de plástico

Frankenstein de kiwi, fantasma de marshmallow e abóboras de melão cantaloupe no palito

Frutas no palito decorados com morcegos de plástico

Fantasmas de banana e abóboras de mexerica

Fantasmas de pêras flambadas... Bu!

e de morango com chocolate

Creme de abacate e biscoito de chocolate sem recheio triturado

Salada de frutas variadas cor de laranja no potinho decorado...

... ou decorada nas tacinhas com chantilly ou sorvete de creme

Para as bebidas

Aranhas de plástico ficam sinistras dentro dos cubos de gelo!

Dá pra colocar minhocas de gelatina nos cubos de gelo

Ou gelar as bebidas com uma luva descartável nova e limpa!


Festa com sal, para todos os gostos e tamanhos!

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Receita: Hambúrguer caseiro


Mais uma receita simples, prática, rápida, com poucos ingredientes, nutritiva e saborosa no Fome de quê?! É uma ótima opção para dar uma cara diferente ao bife de sempre do almoço e jantar ou uma alternativa saudável para aquele hambúrguer industrializado, cheio de sódio, gordura, aromatizantes, conservantes, estabilizantes do lanche.

Além de fácil fica tão mais gostoso com carne de verdade que você não vai mais querer saber de comprar os congelados encaixotados. E aposto que as crianças vão aprovar!

Ingredientes:
  • 500 g de carne moída (utilizei acém, mas pode ser contrafilé)
  • 1 cebola média picada ou ralada
  • 2 colheres (sopa) de cebolinha picada
  • 2 colheres (sopa) de salsinha picada
  • 2 colheres (sopa) de molho inglês, vinagre ou suco de limão
  • 2 dentes de alho picados
  • Pimenta do reino e sal a gosto
  • 1 colher (sopa) de óleo para untar a assadeira ou frigideira

Modo de preparo:
  • Em um recipiente misture a carne moída, a cebola, cebolinha e salsinha picadas, o molho inglês (ou vinagre ou limão), alho e a pimenta do reino. Só não misture o sal ainda (caso contrário a carne desidrata e o hambúrguer fica duro e pequeno).
  • Amasse com as mão até ficar homogêneo.
  • Separe a mistura em 8 bolinhas de tamanhos iguais e amasse (achate) com as mãos até ficar com formato de hambúrguer.
  • Asse até dourar ou frite com pouco óleo, adicionando o sal, e sirva.

Como é muito fácil de fazer, vou contar como fritei o meu hambúrguer, para não exagerar na quantidade de óleo e ficar profissional!

1- Escolha uma frigideira ou panela GRANDE. Se a panela for muito pequena ou se você colocar muitos hambúrgueres juntos, a carne vai juntar água e vai cozinhar e não selar e deixa-los tostadinhos.
2- Prefira uma frigideira ou panela ANTIADERENTE. Caso contrário você terá que utilizar muito óleo para que os hambúrgueres não grudem. Se você não tiver, recomendo assá-los.
3- O óleo deve estar QUENTE. Para o 1º hambúrguer, coloque pouca quantidade de óleo na frigideira (1 colher de sopa) ou panela e deixe por 1 minuto em fogo médio-alto. Isso vai ajudar a selar a carne e mantê-la mais suculenta e tostada. Para os demais não precisa, o óleo já estará quente e não há necessidade de adicionar óleo a cada hambúrguer, a quantidade inicial é suficiente.
4- A hora certa de adicionar o SAL. Assim que o hambúrguer começar a se desgrudar do fundo da frigideira (aproximadamente 3 a 5 minutos) vire e aí sim adicione o sal. Aguarde mais 3 a 5 minutos e voilà! Está pronto, douradinho e sequinho!

Dificuldade: Fácil
Rendimento: 8 unidades
Tempo de preparo: 20 minutos

Com pão de hambúrguer integral, alface, tomate uva, repolho ralado, cenoura ralada, cebola roxa em rodelas, queijo, abacate picado e mostarda.
Dicas:
  • A receita rende 8 discos de hambúrguer. Caso sobre, embale os hambúrgueres ainda crus individualmente em papel filme (aqueles de plástico) e guarde no congelador (sem o papel filme, bifes, hambúrgueres e pedaços de carne se fundem quando congeladas, formando um único bloco). Recomendo colocar uma etiqueta com a data em que foram feitos e consumi-los em até 3 meses.


  • Outros temperos que combinam muito bem são: molho de pimenta, mostarda, gengibre, wasabi e ervas frescas.


Um jeito descontraído de incluir ferro, zinco, vitamina B12 e proteínas na alimentação.

Use a criatividade e bom apetite!

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Não somos tabelas nutricionais ambulantes!


Alimentar-se de maneira saudável é, sem sombra de dúvida, essencial para manter uma boa saúde. No entanto, muito se fala sobre nutrientes, propriedades funcionais, substâncias com poder de cura, que matam, e pouco se fala sobre COMIDA de verdade.

Apesar de um tema muito atual, Hipócrates, 460 a.C. –  370 a.C., já fazia esta associação. Quem não conhece a célebre frase "Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio"? Deviam chama-lo não só de “pai da medicina” mas também de “pai do Globo Repórter”...

Os programas “tradicionais” de culinária foram assolados pelos programas de “nutrição funcional”. Se há pouco tempo o foco dos programas era a receita, hoje é apenas o pano de fundo deste grande teatro de nutrientes.

Outro dia, enquanto preparava um prato, a nutricionista Bela Gil disse que cebola era diurética. Conversando com colegas nutricionistas, uma delas levantou a questão: alguém come cebola porque é diurética? Ou simplesmente porque é um tempero saboroso muito apreciado na culinária brasileira? Ou porque combina com a receita? Ou porque as pessoas gostam? E vamos combinar: pra obter o efeito diurético, haja cebola!...

Fora as informações desencontradas... É complicado dizer que a aveia não contém glúten sendo que as comercializadas no Brasil têm glúten, e que, por este motivo, a associação dos celíacos do Brasil (Acelbra) veta o consumo de aveia, dentre outros cereais, para essas pessoas. Já pensou se algum celíaco achar que agora está liberada porque viu na TV?

Ou então que é melhor utilizar a batata baroa (mandioquinha) porque batata inglesa tem uma toxina... Nunca vi ninguém morrer ou passar mal degustando um escondidinho de batata com carne moída na TV (nem fora dela)! O louro José está aí até hoje...

Essas informações têm muito a ver com a nutrição norte-americana, onde é muito presente o “nutricionismo”, ou o “terrorismo nutricional” (e nem por isso os americanos estão/são mais saudáveis, lembra?).

Todo alimento, todo ingrediente precisa estar lá porque tem alguma propriedade nutricional? Mesmo porque, para obter o resultado esperado, precisamos levar em consideração a quantidade (tamanho da porção ingerida), a biodisponibilidade dos nutrientes e a frequência com que comemos os alimentos fonte de X, Y, Z.


O que aconteceu com o conceito da cozinha maravilhosa da Ofélia? E o que há de errado com as comidinhas caseiras e deliciosas da Palmirinha? Aliás, não deixe minha avó saber que sou fã da Palmirinha, ela me mata – concorrência, sabe como é... Nos programas de culinária vemos um pouco de tudo: carnes, leite, vegetais, frutas, massas, batata baroa... Mas também a batata inglesa!


Confesso que boa parte das informações que circulam na mídia eu desconheço. Sou uma má profissional por não recomendar o consumo de limão porque este alcaliniza o sangue? Por não saber de cor a composição química por 100 gramas ou por porção do agrião?

Certa vez, perto do Natal, comentei com alguém que minha fruta preferida é a lichia. Sabendo que eu sou nutricionista a pergunta veio como um raio “Lichia é boa pra quê?”. Boa pra mim! Juro que eu não como lichia pela baixa densidade calórica ou pelo teor de vitamina C e água. Eu como LICHIA. Porque é uma fruta. Comi porque era Natal. E porque é a minha favorita!

Só não foi pior do que quando minha tia avó, que há anos chupa laranja todos os dias depois do almoço, me disse que viu na TV que laranja tem pectina...

Cri cri cri cri cri...

Nitidamente aquela informação não significava NA-DA pra ela, que continuou chupando a laranja.

Dietética, técnica dietética e dietoterapia fazem parte da grade curricular de todo curso de nutrição. Com os estudos e com a prática clínica acabamos por memorizar informações nutricionais sobre alguns alimentos, as porções por medidas caseiras, a característica dos grupos alimentares da Pirâmide Alimentar, da roda dos alimentos, alimentos ricos em fibras, vitaminas, gorduras, pra que servem as fibras, vitaminas, gorduras, etc. No entanto, “comemos alimentos, não nutrientes!” – foi essa inclusive uma das primeiras lições aprendidas quando fiz especialização em transtornos alimentares.

Deixe os nutrientes com o nutricionista e fique com a comida.


O nutricionista conhece o suficiente para aplicar o conhecimento necessário para cada caso. Não espere que saibamos a composição centesimal, peso, calorias, vitaminas A, B, C, D, E, K, cálcio, ferro, zinco, molibdênio de todos os sei-lá quantos alimentos naturais e industrializados que existem!

Mas não julgue o nutricionista por desconhecer a função da pitaia. Não espere de mim o molibdênio! As tabelas nutricionais, guias, diretrizes, livros, artigos científicos estão aí para serem consultados. Não somos tabelas nutricionais ambulantes!

Referências:

Acelbra [Internet]. [acesso em 2014 Oct 1]. Disponível em: http://www.acelbra.org.br

Machado RMD, Toledo MCF. Determinação de glicoalcalóides em batatas in natura (Solanum Tuberosum L.) comercializadas na cidade de Campinas, Estado de São Paulo [Internet]. Ciênc. Tecnol. Aliment. 2004; 24(1): 47-52. [acesso em 2014 Oct 1]. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cta/v24n1/20040.pdf


Dedico este post para as colegas de faculdade Fernanda Agapito e Andrea Toledo. Continuem exercitando a crítica e estimulando discussões e reflexões sobre nossa profissão. É bom saber que não estamos sozinhos nadando contra a corrente.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Emagrecer: passaporte para a felicidade?


Não há dúvida de que algumas pessoas realmente se beneficiam de um emagrecimento saudável, realista, planejado, compatível com o potencial genético, obtido com mudança de hábitos alimentares e estilo de vida. Muitas vezes a perda de peso é questão de vida ou morte.

Mas esta não é a questão a ser abordada hoje. Me preocupo com a motivação pela qual algumas pessoas buscam a perda de peso, e é essa a grande questão. Sejamos francos – raramente o real motivo é a saúde. Sempre existe a estética, seja ela escancarada ou embutida, escondida no discurso de “alimentação saudável”.

E por que me preocupo com isso? Por que isso seria ruim? Cada um tem o direito de lidar com suas insatisfações e procurar mudar, certo?

Em parte.

Como discutido no texto SOSHollywood, ninguém está imune à insatisfação corporal. Algumas pessoas lidam muito bem com esta questão, outras, nem tanto. Não podemos ignorar a existência de um problema quando a insatisfação corporal ocupa posição central na vida, ou quando ela se torna fator impeditivo para realizar planos, viver a vida!

Existe outro agravante, a distorção da imagem corporal. Uma coisa é ser consciente do corpo que tem e não gostar do que vê. Outra é não gostar da imagem criada pela mente, que não corresponde à realidade.

Ilustração: Carol Bertier/ revista TPM
Tanto a insatisfação corporal quanto a distorção da imagem corporal geralmente levam os indivíduos a buscar uma ação, a de modificar a alimentação e/ou praticar atividade física para atingir seus objetivos, sejam eles emagrecer ou ganhar massa muscular (os dois mais comuns). Quando atingem o resultado, percebem que não corresponde às expectativas iniciais ou não reconhecem o resultado. Continuam frustradas, insatisfeitas. Muitas acham que a culpa é delas – foi insuficiente – e geralmente querem mais. O mais que nunca chega...

Você já parou pra pensar que modificar o corpo pode não ser seu objetivo real?

Muitas vezes a perda de peso é utilizada como muleta para cobrir uma parte desfalcada da vida. O emagrecimento (esculpir, moldar o corpo) está muito atrelado ao sucesso, felicidade, plenitude. A sacanagem é que só quando compram a ideia percebem a armadilha. E não é por tolice ou ingenuidade. Tudo é muito sedutor!

Produtores, empresários, pessoas da mídia, etc, precisam vender e ninguém compra algo de que não precisa, não é mesmo? Eles precisam gerar dúvidas, deficiências. Eles sobrevivem da insegurança alheia. “Você é magra o suficiente?”, “Tem músculos o suficiente?”, “Você é bonito(a)?”, “Você tem essa pele, cabelo, dentes perfeitos?”, “Você consegue atingir o orgasmo com seu(sua) parceiro(a)?”, “Ou será que seu(sua) parceiro(a) finge?”, “Você se destaca na sua vida profissional?”... A perfeição tem que estar em tudo, senão não conseguiriam vender uma revista sequer, um gominho de goji berry, um shake de limão que parece tamarindo e tem gosto de groselha.

Ilustração: Carol Bertier/ revista TPM

Preocupante também é que grande parte dos que me procuram no consultório para perda de peso tem o peso dentro do índice de massa corporal (IMC) adequado! Se eu não prescrevo dietas, não tem problema, há quem prescreva! E lá se vai mais um cliente (enquanto fica minha consciência tranquila).

Outro dia, assistindo ao programa “Esquadrão da Moda”, quase aplaudi de pé – os apresentadores (e consultores de moda) Stacy e Clinton, tinham a tarefa de ajudar uma moça, que tinha ganhado peso nos últimos anos, a escolher roupas que lhe favorecesse. Apesar de não entender nada de moda e achar que cada um veste aquilo que mais lhe agrada, fiquei interessada pela história da moça, que estava inconsolada pelo ganho recente de peso e pelo apego pelas roupas que não serviam mais e mesmo assim não queria se desfazer delas. Ela repetia “estou guardando pra quando eu emagrecer”, “quando eu emagrecer eu vou usar as roupas X, Y, Z na viagem”, etc. Todos seus argumentos para vestir roupas e fazer coisas se baseavam na premissa de que ia emagrecer. Ela estava determinada. Eis que o Clinton respondeu “E se você nunca emagrecer?”. Ohhhh... Um soco no estômago. “Você vai deixar de gostar de si, de se cuidar, de viajar, de fazer suas coisas só depois de emagrecer sendo que você não sabe se vai?”. Outro soco no estômago e lágrimas caíram da participante que, apesar de ter ganhado peso, ainda tinha nitidamente um peso adequado. Ah, e em nenhum momento foi citado 1 problema de saúde sequer. O sofrimento era mais pessoal, do que por uma necessidade externa.

Seja crítico. Antes de se perguntar “O que eu faria com uns quilinhos a menos?”, pergunte-se “Eu PRECISO perder peso?”, “Quantos quilos?”, “Por quê?”, “Em quanto tempo?”, “Como?” ou simplesmente substitua a pergunta por “O que eu faria com umas neuras a menos?”.

Seja mais crítico com a mídia. Seja menos crítico com você mesmo(a). Exercite seu cérebro.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Receita: Omelete de espinafre e smoothie refrescante


Final de semana chegando, fome e geladeira vazia. As receitas de hoje levam poucos ingredientes (ou aqueles “pouquinhos de tudo” que acabam enrolando na geladeira...).

Fiz muito sucesso ao postar as fotos dessas duas preparações nas redes sociais. Como a minha intenção não é deixar ninguém babando (aqui é #nãoresisti), aí vão elas! Fico até com vergonha de chamar isso de “receita” pois ambas são facílimas de preparar, tomam pouco do seu tempo, mas mesmo assim são nutritivas e visualmente atrativas!

Omelete de espinafre


O ovo é uma boa opção para substituir o “bife nosso de cada dia”. É mais barato, varia o cardápio e é fonte de proteínas, ferro, zinco, colina (indispensável para o desenvolvimento cerebral do feto durante a gestação e na infância), vitaminas A, D, E e complexo B.

Mas e o colesterol? Ovo pode ou não pode? Pois bem, a recomendação de colesterol é de até 300 mg/dia. Cada ovo possui, em média, 200 mg de colesterol (na gema). Portanto ovo pode fazer parte do dia a dia desde que no contexto de uma alimentação equilibrada e desde que você não tenha tido alguma doença cardiovascular e/ou tenha o colesterol LDL elevado. Nestes casos, o limite máximo de consumo é de 2 ovos (ou 2 gemas) ao longo de 1 semana.

Com relação ao espinafre, a melhor maneira de consumi-lo é aquecido. Apesar de ser rico em cálcio, ferro, e outros minerais, as folhas de espinafre contém oxalato, que funciona como um antinutriente, que inibe a absorção principalmente de cálcio. Quando submetido ao calor, uma parte desse oxalato é destruído e conseguimos absorver melhor os nutrientes. Além disso, O excesso de oxalato não pode ser metabolizado pelos humanos e é eliminado na urina e pode favorecer a formação de pedras nos rins, sobretudo em pessoas que têm propensão genética. Outros alimentos ricos em oxalato são a acelga, beterraba, tomate, nozes e cacau.

Com essa moda detox já vi gente fazer suco verde com espinafre cru a torto e a direito! Cuidado...

Ingredientes:
  • 1 ovos inteiro
  • Clara de 2 ovos
  • 15 folhas de espinafre inteiras
  • 2 fatias de mozzarella light cortadas grosseiramente
  • Sal, pimenta do reino, orégano (e outros temperos) a gosto
  • 1 colher (chá) de óleo vegetal
Modo de preparo:
  • Lave as folhas de espinafre e reserve.
  • Recomendo quebrar 1 ovo de cada vez em um recipiente e passa-lo para outro maior. Assim, caso algum estiver estragado, não há risco de arruinar a preparação toda! Junte o ovo e as claras dos outros 2 ovos, a mozzarela light em pedaços, os temperos e misture vigorosamente com um garfo.
  • Em uma frigideira (antiaderente de preferência) e em fogo baixo, aqueça o óleo, espalhe-o pela frigideira e despeje a mistura do omelete.
  • Posicione aleatoriamente uma parte das folhas de espinafre em cima do omelete, sem apertar. Quando a parte de baixo começar a dourar, vire o omelete e coloque o restante das folhas de espinafre, que com o calor irão cozinhar (amolecer) levemente.
  • Retire do fogo quando o outro lado também estiver dourado e sirva.
Dica:

Dá pra incrementar seu omelete com salsinha, cebolinha, cebola picada, tomate, queijo branco, atum, presunto magro, peito de peru, fica a seu critério!

Selo Popeye de qualidade!

Dificuldade: Fácil
Rendimento: 1 porção
Tempo de preparo: 15 minutos

Smoothie refrescante


Smooth” em inglês significa suave, algo de textura leve, macia. Nada mais é do que uma bebida cremosa, geralmente preparada com frutas batidas com gelo, leite, água de coco, sorvete, iogurte, folhas...

Para esta receita usei:
  • 1 pote (350g) de sorbet de limão (sorvete de limão à base de água)
  • 1 caixa de morangos (aproximadamente 20 morangos)
  • 1 caixa de framboesa (aproximadamente 16 unidades)
  • Suco de ½ limão
  • 10 folhas de hortelã
Modo de preparo:
  • Higienize os morangos, a framboesa e as folhas de hortelã.
  • Bata todos os ingredientes no liquidificador.
Difícil, né?!

Além de prático, rápido e delicioso, é rico em vitamina C, vitamina importante para a manutenção do sistema imunológico e da função e aspecto da pele, fibras solúveis e pigmentos antioxidantes que auxiliam na prevenção de câncer.

Dicas:
  • Fica uma delícia também com manga!
  • Você pode substituir o sorbet de limão por outro tipo de sorvete, frozen yogurt ou iogurte desnatado gelado/congelado.
Dificuldade: Fácil
Rendimento: 4 porções
Tempo de preparo: 15 minutos

Saúde!

Referências:

Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO). 4ªEd. Campinas. SP; 2011.

Slywitch E. Alimentação sem carne: guia prático: o primeiro livro brasileiro que ensina como montar sua dieta vegetariana. 1ª ed. São Paulo: Alaúde Editorial; 2010.

Santos MAT. Efeito do cozimento sobre alguns fatores antinutricionais em folhas de brócoli, couve- flor e couve [Internet]. Rev. Ciênc. Agrotec. 2006; 30(2). [acesso em 2014 Sep 4]. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cagro/v30n2/v30n2a15.pdf


domingo, 31 de agosto de 2014

Feliz dia do nutricionista!

Dia 31 de agosto é o dia do nutricionista, e nada melhor como festejar a data com uma fofura dessas!


Apesar da Ana Paula ter dado dicas muito importantes, gostaria de promover uma reflexão: o que é alimentação saudável?

Uma definição de que gosto muito, e reflete muito da minha postura como nutricionista, é esta aqui, da nutricionista norte-americana Ellyn Satter:

“Alimentar-se normalmente (de forma saudável) é ser capaz de comer quando você está com fome e continuar comendo até você ficar satisfeito. É ser capaz de escolher os alimentos de que você gosta e comê-los até aproveitá-los suficientemente – e não simplesmente parar porque você acha que deveria.

Alimentar-se normalmente é ser capaz de usar alguma restrição na seleção de alimentos para consumir os alimentos certos, mas sem ser tão restritivo a ponto de não comer os alimentos prazerosos.

Alimentar-se normalmente é dar permissão a você mesmo para comer às vezes porque você está feliz, triste ou chateado ou apenas porque é tão gostoso. É também deixar alguns biscoitos no prato porque você pode comer mais amanhã ou então comer mais agora porque eles têm um sabor maravilhoso quando estão frescos.

Alimentar-se normalmente é comer em excesso às vezes e depois se sentir estufado e desconfortável. Também é comer menos de vez em quando, desejando ter comido mais. Alimentar-se normalmente é confiar que seu corpo conseguirá corrigir os errinhos da sua alimentação.


Alimentar-se normalmente requer um pouco do seu tempo e atenção, mas também ocupa o lugar de apenas uma área importante dentre tantas da sua vida. Resumindo, o “comer normalmente” é flexível e varia em resposta às nossas emoções, nossa agenda, nossa fome e nossa proximidade com o alimento.”


Feliz dia do